Após uma noite inteira de reuniões de seu conselho administrativo, a Porsche divulgou uma série de medidas na manhã desta quinta-feira (23). Segundo alguns comunicados da fabricante, seus diretores chegaram à decisão de aceitar um aporte financeiro de 5 bilhões de euros (cerca de R$ 13,4 bilhões) provenientes de um fundo de investimentos catarense chamado Qatar Holding LLC.
A negociação abriu caminho para a compra da Porsche por parte do Grupo Volkswagen, o que resultou na demissão de Wendeling Wiedeking, até então CEO da fabricante de esportivos que estava à frente da empresa por 16 anos. Foi Wiedeking o responsável por retirar a Porsche da difícil situação que se encontrava na década de 1990, à beira da concordata, e torná-la a fabricante mais rentável até a presente crise global.
Apesar da Porsche não declarar, o motivo para a demissão de Wiedeking foi a oposição do CEO à negociação entre as duas empresas conterrâneas. O atual responsável pela área de finanças da marca, Holger Haerter, também deixará a companhia.
Com o título de executivo mais bem pago da Alemanha, Wiedeking ganhará uma indenização de 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 135 milhões), enquanto Haerter levará 12,5 milhões de euros (R$ 34 milhões). No lugar de Wiedeking, quem assumirá o posto de CEO da Porsche será Michael Macht, que era responsável pelo setor de produção da montadora e a tornou mais eficiente nos últimos anos. Para ajudá-lo na nova missão, o diretor de recursos humanos, Thomas Edig, passará a ser o “braço direito” de Macht.
As decisões parecem indicar um novo rumo para a Porsche, que já contabiliza mais de 10 bilhões de euros em dívidas. Grande parte desse valor diz respeito à ambiciosa tentativa da marca de adquirir 51% do Grupo Volkswagen, conglomerado que tem um rendimento 16 vezes maior que o da Porsche.