Lançamentos

18/09/2009 10:28:00

Panamera joga o chofer para o banco de trás

Quase tão esportivo quanto um 911, o novo Porsche privilegia o motorista

Carro branco parece táxi? Que tal se ele for um Porsche capaz de chegar a 303 kmh e acelerar de 0 a 100 km/h em 4s2?

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Gerson Campos

O semáforo fecha e o carro para. Graças ao sistema Start/Stop, o motor é desligado automaticamente. Na faixa de pedestres, uma bela moça de cabelos presos e óculos escuros num despojado visual executivo atravessa a rua e faz notar o barulho de seu salto alto. Tudo é ouvido graças ao silêncio sob o capô. Propaganda de carro ecológico? Não. É o filme promocional do novo Porsche Panamera. E você ainda acha que lançar um cupê de 4 portas é uma mudança muito grande para a Casa de Stuttgart? Então, é preciso saber mais sobre esse novo divisor de águas na história da marca que, de acordo com os puristas, está fazendo Ferdinand Porsche revirar-se no caixão — e, segundo quem gosta de carros, o faz sorrir por lá.

Não são só os quatro lugares — o Cayenne quebrou esse tabu quando foi lançado, em 2002 — ou o sistema que poupa combustível em paradas que surpreendem. O Panamera não decepciona o dono de 911 que cansou de andar apertado e ainda faz quem saiu de um Mercedes-Benz CLS achar que estava dirigindo um gigantesco Cadillac antes de ter a feliz ideia de entrar naquela concessionária e comprar um Porsche de 4,97 m de comprimento. Um Porsche que, não há como negar, é visualmente “inóspito” à primeira vista. Mas encanta e conquista com o tempo (bem pouco tempo). Foi assim com a esmagadora maioria dos jornalistas presentes no lançamento, incluindo este repórter. De estranho, o Panamera foi promovido a maravilhoso em apenas alguns dias.

Mas vamos ao que mais interessa: acelerar. E como é bom fazer isso a bordo de uma máquina como esta. Disponível nas versões S, 4S e Turbo, o “Porschão” usa o mesmo motor 4.8 V8 nas três opções. A diferença é que na top de linha, o turbo eleva os 400 cv de potência a 6 500 rpm dos dois carros “de entrada” para 500 cv a 6 000 rpm. Com exceção do S, o 4S e o Turbo trazem a tração integral PTM (Porsche Traction Management), que distribui o torque entre as quatro rodas de acordo com a demanda, aderência do piso e esterçamento do volante.

De série nas três versões, o start/stop, além de ecologicamente correto, é perfeito na tarefa de dar alguma paz de espírito em congestionamentos. Quando o carro para, o trabalho do motor cessa junto. Na hora em que o motorista tira o pé do freio, em menos de um segundo o funcionamento do V8 já se reestabeleceu e obedecerá ao pedal direito. Quem quiser, pode desligá-lo no painel. O mais divertido dos três você já sabe qual é. Mas não é só a instigante cavalaria que empolga no Turbo. Ver a ficha técnica também anima qualquer um ao bater o olho nos incríveis 78,5 mkgf de torque a apenas 2 250 rpm (o Panamera de 400 cv tem 51,0 mkgf a 3 500 rpm), rotação que um levíssimo toque no pedal direito fará o carro atingir em menos de um segundo. Só não contávamos com um pequeno problema: ter de controlar tudo isso sob a chuva que despencou de Munique a Elmau, do aeroporto ao hotel, pelas estradas vicinais alemãs até as
autobahnen sem cessar. Paciência. 

E lá fomos conhecer o Panamera Turbo nas pistas encharcadas. O nosso era esse das fotos, com freios cerâmicos, rodas de 20” (ambos opcionais) e um belíssimo e impecável interior grafite. Ainda num trecho limitado, andar a 120 km/h era como estar num confortável sofá assistindo a um bom road movie em alta definição. Quando a placa preta e branca com cinco pequenos riscos sobre a velocidade indicava que não havia mais limite, a senha para o deleite estava dada. E não adianta tentar andar devagar por lá.

Mesmo na direita, a 160 km/h sob leve garoa, um Mercedes SLK AMG passou levantando água. Hora de ver se o câmbio PDK (Porsche-Doppelkupplungsgetriebe) era tão bom no Panamera quanto no 911 que avaliamos na edição passada. Era. Mas, como naquele belo conversível que você viu em julho, as alavancas de troca no volante são confusas. 
Já a excelente posição de dirigir e a resposta rápida e precisa da direção, que altera automaticamente a rigidez e a relação de acordo com a velocidade, são impecáveis. 

Na Autobahn, 285 km/h

No dia seguinte, garoava bem leve. Hora de tentar os 303 km/h divulgados pela Porsche. Irresponsabilidade? Nem tanto. O Panamera tem tudo o que a engenharia já inventou para evitar que seu motorista visite São Pedro antes da hora. Além dos freios cerâmicos com ABS, distribuidor da força de frenagem e Brake Assist (que intensifica a força no pedal em freadas mais bruscas), tínhamos à disposição o monitoramento da pressão dos pneus e um arsenal de oito airbags.

O Panamera ainda vem com PASM (Porsche Active Suspension Management), sistema eletrônico de controle dos amortecedores, e suspensão a ar (um luxo só do top de linha). No modo mais confortável, as bolsas infláveis que atuam junto das molas ficam cheias com 2,2 litros de ar e ajudam na sustentação do carro, fazendo o Panamera praticamente flutuar. Se o motorista quiser esportividade total, a carga é diminuída para 1,1 litro e deixa a carroceria mais apoiada nas molas. E aí, literalmente, é dureza. Há também o PDCC (Porsche Dynamic Chassis Control), que inclui um eixo traseiro com diferencial controlado eletronicamente. Tudo isso é gerenciado pelo sistema Sport Crono Plus, que pode ser desativado ou programado nas funções Sport ou Sport Plus, deixando o modelo até 25 mm mais próximo do chão.

Com o modo Sport Plus ativado, aliás, o Panamera oferece sua brincadeira mais divertida: o Launch Control, um controle de largada assustadoramente rápido. É só pisar no freio com o pé esquerdo, acelerar até o fundo, esperar o sinal de OK no painel e soltar a fera para que ela vá de 0 a 100 km/h em 4s2, 0s3 mais rápido que um 911 Carrera 4S. A operação é controlada com uma maestria que impediria qualquer mortal de ser tão rápido com um câmbio manual — o Turbo já vem de série com o PDK. Qualquer semelhança com o 911 é proposital.

Grudado ao chão, silencioso, rápido e passando uma sensação de segurança mesmo com a fina camada de água que insistia em cobrir o perfeito asfalto alemão, o Panamera nos levou a 285 km/h (uma curva chegou e impediu que a barreira dos 300 km/h fosse quebrada, mas fôlego não faltou). Enquanto isso, o passageiro ao lado estava de olho no velocímetro, mas o de trás nem percebeu e continuou com suas anotações.

Menos radical e “pretensioso” que o Cayenne (60% das vendas de Porsche no Brasil, por exemplo, são do utilitário esportivo), o Panamera terá duas grandes missões: a primeira será consolidar uma imagem de excelência num segmento que verá em pouco tempo a concorrência do Aston Martin Rapide, que já está pronto, e, quem sabe, do Lamborghini Estoque, o primeiro 4 portas da marca do touro que ainda não teve a produção confirmada, devido à crise.
O segundo objetivo será vender as 20 000 unidades fabricadas por ano e elevar as vendas da Porsche em 20%, o que não parece ser um desafio muito grande para um modelo que nem foi lançado e, segundo a marca, já tem 7 000 exemplares encomendados.

Para continuar nessa toada, a Porsche aposta na versatilidade de sua nova cria. “O Panamera é ideal para andar com o chofer. Ou deixá-lo no banco de trás”, brincou Andreas Jaksch, engenheiro-chefe de desenvolvimento de drivetrain do carro. Mas andar só atrás não garantiria a felicidade de um motorista. Se ele gostar mesmo de dirigir, nem os bancos traseiros com regulagens iguais as dos dianteiros o deixariam satisfeito. Afinal, quem está de Panamera quer conduzir. Ainda mais se na frente do carro passar a bela moça do comercial.

Imagens Diivulgação

Interação

Comentários

Básico , em 24/09/2009 - 15:37

Será que posso ir pescar com carro desse...afinal a estrada é de terra!? vou pensar ainda se compro um desses

ccn , em 19/09/2009 - 14:03

Eu prefiro carros na cor branca e não sou taxista.