A frase em latim carpe diem, ou “aproveite o dia”, tem tudo a ver com o novo BMW Z4. Em uma tradução livre, ela pode ser interpretada como “aproveite o momento”. E é exatamente o que o comprador de um carro como este roadster deseja, além do prazer ao dirigir com os cabelos ao vento e o status que um dos modelos mais cobiçados do mundo proporciona, ter à disposição o desempenho de um esportivo para aproveitar a vida. Seja desfilando em alguma praia ou andando rápido por uma estrada.
Entretanto, não é todo dia, que alguém — que não seja o felizardo proprietário deste roadster — tem a oportunidade de desfutar de uma máquina como essa. Até mesmo o agente secreto James Bond, que já aprontou peripécias a bordo do Z3 (o antecessor do Z4) no filme 007 Contra Goldeneye, estaria nos invejando.
A versão sDrive35i que ilustra esta reportagem é a mais arrojada à venda pela BMW no Brasil e também a mais cara das duas disponíveis e custa R$ 308 500. Já a outra, a sDrive23i, que tem um motor menos potente, custa R$ 307 000. Mas vamos ao que realmente interessa: como é andar em um carro como esse? Diria que, com a capota abaixada e os vidros laterais levantados — para reduzir a turbulência dentro do bólido — é a maneira ideal em um país tropical como o nosso. A sensação de dirigir o modelo é a mesma de estar em uma moto: liberdade! Dobrável e com mecanismo totalmente elétrico, a capota do Z4 precisa de apenas 20s para ser instalada ou recolhida. Por segurança, é recomendável executar a operação com o carro parado.
Durante a ida para a pista de testes, que se localiza no interior de São Paulo, aproveitei o dia ensolarado e fui curtindo a natureza, desfrutando de boa música no sistema de som de primeira linha que o Z4 oferece. Já ao chegar no “local de trabalho”, tratei de andar forte o tempo inteiro, até mesmo durante a sessão de fotos. Vale lembrar que, por uma questão de padronização dos testes e também para não prejudicar o desempenho do veículo devido à aerodinâmica, todas as avaliações foram realizadas com a capota levantada. O motor tem potência de sobra e o modelo pede uma tocada rápida a todo o momento. Acompanhe os resultados a seguir.
No teste de aceleração de 0 a 100 km/h, o Z4 precisou de 5s8 para percorrer pouco mais de 88 m. Equipado de série com o DTC (Controle Dinâmico de Tração), a arrancada do Z4 é bruta, mas sem deixar marcas de pneus no asfalto ou perder a tração das rodas traseiras. Após alguns segundos da arrancada, ele já está na velocidade máxima. Contudo, uma reação inesperada me chamou a atenção rodando em alta velocidade no decorrer da prova: ao atingir 230 km/h, a frente do carro pareceu leve demais, mesmo com o modo Sport acionado, que faz com que a direção com assistência elétrica fique mais firme e esportiva para melhorar o comportamento dinâmico do Z4 nessas condições. O fato não comprometeu a segurança em nenhum momento, mas, em um veículo com distribuição de peso de 50% em cada eixo, tal comportamento não era esperado.
Após percorrer a reta da pista como um míssil, a curva travada e compensada serviu para avaliar a aderência lateral do Z4. E mesmo contornando forte, o roadster se manteve estável, graças a outro de seus recursos tecnológicos, o DSC (Controle Dinâmico de Estabilidade), que, em conjunto com o ABS, faz as rodas traseiras esterçarem levemente para acompanhar o movimento das dianteiras. Passada a curva, na reta seguinte, o conversível alemão deu uma nova prova de sua agilidade, quando, no teste de retomada de velocidade, partindo de 80 km/h e o câmbio no modo Sport, ele precisou de incríveis 3s3 para alcançar 120 km/h.
Mais tarde, ao final de mais uma “árdua” jornada de trabalho na pista, adivinhe como voltamos para São Paulo? Com a capota abaixada, claro, e aproveitando a vida!